Lugares diferentes para se visitar e degustar vinhos fora do circuito tradicional

Uma das coisas bacanas que estou aprendendo em meu curso de vinhos, é que existem diversos locais espalhados pelo mundo, que produzem vinhos de excelente qualidade e a gente nem imagina. Você sabia que um dos melhores vinhos brancos do mundo é produzido na Suíça? Bom, aposto que não sabia. Nós brasileiros estamos limitados aos rótulos que são mais importados aqui para dentro, que é o caso dos vinhos Chilenos, Argentinos, Franceses, Portugueses e assim por diante. Com esse texto de hoje, quero falar sobre esses lugares, muitas vezes esquecidos até pelos grandes conhecedores de vinhos. Vem que hoje vamos viajar pelo mundo em lugares inusitados.

– Nova Zelândia

Reza a lenda que tirando os vinhos da uva Pinot Noir da Borgonha, os melhores são produzidos aqui, na Nova Zelândia. Se colocarmos os países do novo mundo, a Nova Zelândia ganha em tudo quando se trata de Pinot Noir. Mesmo dentro do país, existem duas grandes áreas produtoras. Em Martinborough, eles produzem vinhos com aromas de cereja, elegantes e aveludados. Já em Marlborough, eles produzem vinhos mais leves e com aromas herbáceos. A Pinot não é uma uva tão fácil de ser trabalhada e precisa do clima certo com o terroir certo para ser explorada ao máximo. Claro, também precisa de um bom enólogo para extrair um bom vinho. Se gosta da uva e quer sair da Borgonha, vale a pena tentar os vinhos da Nova Zelândia.

– Suíça

Quando fui para Suíça da última vez, pude ver entre as cidades de Genebra e Lausanne, muitas vinhas plantadas nas encostas das montanhas. Digamos que a Suíça possui muitas montanhas e um clima relativamente mais frio comparado com outras zonas produtoras de vinho. A principal uva produzida no país se chama Chasselas (que é a uva emblemática do país), que tem como característica um amadurecimento precoce (por isso ela vai bem em climas frios), tem uma acidez excelente, produzindo vinhos bem frescos e com aromas de frutas críticas e até pêssego. Essa uva tem boa condição para envelhecer bem e quando isso acontece, ele fica com uma cor dourada linda e com notas de evolução de mel e nozes.

– Israel

Aposto que você nunca bebeu um vinho que foi produzido em Israel. Mas saiba que por ser banhado pelo Mar Mediterrâneo, eles possuem um clima favorável para uvas como as francesas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. Uma curiosidade é que existe no país um vinho chamado Kosher, que para ser produzido, é necessário uma série de regras, incluindo que o manuseio do vinho deve ser feito somente por judeus, pois precisa seguir as regras do Torá (que é o livro sagrado dos judeus) e muitas outras regras meio malucas para a gente, mas que faz todo sentido para eles. Nem todos os vinhos produzidos em Israel precisam seguir essas normas. Há vinhos “normais” por lá também e vale a pena experimentar.

– Bélgica

Até parece piada dizer que um país como a Bélgica, que tem uma tradição forte em cerveja e um país bem pequenino, tem regiões que produzem vinhos. Mas tem. Aliás, eles possuem até AOC (que são as Apelações de Origem Controlada, que ajuda a dar mais qualidade e controle ao que se está sendo produzido naquela região e naquele país). Os principais rótulos produzidos são de uvas brancas como a Müller-Thurgau e a Chardonnay. Mas eles também produzem vinhos tintos de uvas como a Pinot Noir e a Gamay. Podemos notar uma predominância de uvas que não possuem um amadurecimento tardio, pois os locais são mais frios.

– Áustria

Assim como na Suíça, encontramos os vinhos brancos entre os mais famosos e melhores da Áustria. Essa região da Europa Central, tem clima bem peculiar, o que favorece alguns tipos de uvas em especial. No caso da Ásutria, vamos encontrar como uva emblemática do país, a Grüner Veltiner (que eu nem vou arriscar a tentar falar), mas vinhos produzidos com as uvas Riesling e Gewürztraminer são ótimos também. A Áustria tem um rigor em critérios de produção para evitar as fraudes, mesma coisa acontece na Suíça e por serem países que não possuem uma tradição marcante na produção dos vinhos, eles se veem obrigados e se superarem cada vez mais, para conquistar seu espaço.

– Hungria

Aqui mexemos em um terreno bem antigo, onde a supremacia é de um vinho chamado Tokaji Aszú, que é considerado como um dos melhores vinhos de sobremesa do mundo. Impossível não falar de Hungria e não citar o Tokaji, que é produzido em diversas versões, de diversos modos. Aqui no Brasil, são vinhos difíceis de serem encontrados e também são pouco conhecidos por nós brasileiros. Mas a excelência da Hungria é algo que devemos ressaltar. A uva principal para a produção do Tokaji se chama Furmint e ela naturalmente tem bastante açúcar, contando com a ajuda do bom clima para a ação do fungo Botrytis, para que aconteça a podridão nobre (que é quando esse fungo ataca as uvas, “secando” e deixando açúcar residual na fruta). O resultado dessa alquimia podemos ver na Hungria e também na região de Sauternes, em Bordeaux, na França.

Gostaram da lista? Acredito que a maior parte desses lugares você nem imaginava que produzia vinho, né?! Pois é. Às vezes ficamos presos em locais que são super tradicionais e acabamos por esquecer todos os outros locais do mundo que também produzem bons vinhos. A grande questão prazerosa nesse assunto é explorar. Podemos viajar pelo mundo bebendo vinho e quando entendemos um pouco que seja, tudo fica ainda mais especial. Compartilha esse texto com quem você sabe que ama vinho (menos para mim hahahaha) para que todos possam abrir suas mentes com relação ao mundo gigante que temos com vinhos de ótima qualidade. Até a próxima.

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