Desfile Inverno 2020 de Maison Margiela na Paris Fashion Week

John Galliano é o diretor criativo da Maison Margiela há alguns anos e ele disse dessa vez que ele queria um desfile transformador, restaurador, a ideia de dar vida nova a algo. Essa foi uma das frases que John usou para definir o que era essa coleção. Ele disse tudo isso na forma de podcast, ao invés das famosas entrevistas que sempre existem no pós desfile. Na questão de “temos um desfile de tirar o fôlego” não acredito que ele tenha se superado como em muitas outras coleções antigas. Mas a grande questão, é que a marca começou a fazer um trabalho sustentável onde a palavra da vez é reciclagem. Pensar em uma marca como Maison Margiela para fazer um trabalho como esse, é de tirar o chapéu.

Mas, uma coisa preciso confessar. Galliano tem um senso incrível de compor uma cartela de cores. Ele usou as cores que já estarão em alta nessa temporada apresentada, mas ele conseguiu fazer um mix interessante de tudo isso. Ele misturou azul elétrico (que é uma das cores que virá com mais força) com laranja e malva pálido, ou tangerina com mostarda e marrom. Encontramos o preto (não com tanto espaço como em outras coleções), o vermelho e verde floresta. Uma cartela de cores bacana e com todas as tendências. Gostei também dos mix de tecidos que ele fez. Usou tecidos leves e esvoaçantes com peças mais estruturadas e com peso.

Galliano falou em querer recuperar e se apagar aos fragmentos de significado que permanecem nas memórias do guarda roupa do século XX. Aliás, o vestido final que ele apresentou era delicado, feito de chiffon de alfazema, estampado a laser. Era uma espécie de homenagem aos vestidos de melindrosa dos anos 20. Mas o objetivo de Galliano com essa coleção “Recicla” é cortar e escavar estruturas para descobrir novas formas de trabalho com o tecido e com a peça. Ele sempre foi acusado de ser um ser intocável (porém genial) que o que mais fazia era lançar na moda peças que jamais poderiam ser vendidas em lojas. Mas essa coleção é diferente e dessa vez, tudo pode ser comercializado.

Acessórios, bolsas, sapatos, roupas. Tudo que ele criou pode e tem grandes chances de virar objetos de desejo de muitas fashionistas pelo mundo. É um momento diferente, onde é mundo está diferente. A nova definição de luxo. Peças criadas por mãos que tocam de verdade, que criam de verdade e usam material com história. Peças com identidade própria. Isso é algo que Galliano criou para essa coleção da Maison Margiela. Vale a pena dar uma olhada. E babar, claro.

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